Posterous theme by Cory Watilo

Nepal

O Nepal é um arraso. Lindo, maior tranquilidade, e as pessoas mais simpáticas do planeta. Todos tão sorridentes, gentis e generosos que me senti em casa em Catmandu e não tinha sequer vontade de sair dali. Não foi um caso de amor à primeira vista, minhas primeiras impressões do Nepal foram tristes, angustiantes até, constatando tudo o que falta nesse país: pavimentação das estradas, água encanada, energia elétrica pra todos, controle da poluição, regras de trânsito, policiais honestos etc. etc. etc. Substituam-se as montanhas pelas savanas e eu poderia acreditar que estava na África. Ou talvez nas partes mais pobres do Brasil, que ainda não conheço.

Fui andar pela cidade, 2 quilômetros até um templo no alto de uma escadaria, todo o percurso tomado por edifícios de tijolo aparente e ruas de terra. Mas não parecia uma favela enorme e em nenhum momento me senti insegura ali. Pessoas simples e sorridentes tocando a vida, mães arrumando as crianças pra escola, homens a caminho do trabalho tomando um café na padaria, mulheres lavando as roupas, tomando banho... Sim, tomando banho com baldes, ajoelhadas na frente de casa. Levei um susto na primeira vez que vi, mas o ritual tem tanta delicadeza e cuidado, tanta decência, que eu percebi que não é motivo de tristeza ou constrangimento pra essas famílias. É claro que se alguém instalasse um chuveiro com água quente num banheiro confortável no interior das suas casinhas, todas ficariam felizes. Deve ser aquela velha história do copo de água meio cheio ou meio vazio, e o Nepal é o país do copo meio cheio. Pessoas simples e satisfeitas com a vida, além de simpáticas e torcedoras do Brasil na Copa do Mundo. Preciso de mais motivos pra adorar esse lugar?

Assim os dias foram passando em Catmandu, visitei templos, comi a especialidade local: arroz com lentilhas e curry de legumes, enlouqueci com as lojinhas hippies do Thamel, uma espécie de gueto dos turistas, encontrei o grupo do Tibete, e descansei muito. Estávamos todos na mesma, nos recuperando da viagem exaustiva da China até o Nepal. 

Com as energias renovadas, mas já sem tempo pra fazer o trekking que eu tinha planejado, parti pra Pokhara na base da cordilheira do Himalaia onde eu poderia fazer uma caminhada de 4 dias, o circuito de Poon Hill. Pra esse percurso, contratei um guia e me juntei a dois holandeses que estavam no meu hotel e que tinham os mesmos planos que eu. A viagem foi dura, dois dias de subida acentuada em um percurso sem grandes atrativos. Mas a vista do nascer do sol no mirante de Poon Hill valeu todo o esforço.

O Mirante

Fotos do resto da caminada

Uma história que vale a pena mencionar por aqui é a do Boris, esse cachorrinho lindo das fotos aqui embaixo. Ele nos acompanhou por 3 dos 4 dias da caminhada, e eu já queria levá-lo pra casa comigo. A despedida foi triste demais, mas tenho certeza que ele está bem melhor nas montanhas do Nepal do que no meu apartamento no Rio de Janeiro...

A última parada no Nepal (e na Ásia!) foi no parque nacional Chitwan. O primeiro choque aconteceu logo que cheguei, ainda no caminho pro hotel, quando me deparei com um enorme elefante todo decorado andando nas ruas da cidade. A visão logo se tornou rotineira, mas cada elefante passando ainda me deixava fascinada e feliz. Lembrei do meu sobrinho, Beni, que adora apontar os táxis e fuscas na rua do Rio de Janeiro, ele deve se sentir mais ou menos assim.

No Nepal, fechei com chave de ouro a minha viagem pela Ásia. Partindo daqui pra Paris no dia 24 de dezembro de 2011, já estou oficialmente no caminho pra casa. Mais posts em breve, mas comecem a se preparar, que a viagem está terminando!

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